DEZ PROPOSTAS PARA O SNS FUNCIONAR NO COVID-19

1: Incluir Hospitais privados (estrutura, equipamentos e pessoal) debaixo da alçada do Ministério da Saúde.

2: Neste conjunto o MS deve dividir, conforme as zonas do País, quais os Hospitais de 1º, 2º  de combate ao Covid, mas deve incluir privados e de 3º linha para doentes não infectados pelo Covid-19. Isto não é uma divisão de capacidade e complexidade no diagnóstico e tratamento de doentes. São os Hospitais que estão preparados para tratar doentes infectados com Covid-19. A divisão deve ser feita para que os recursos necessários  estejam no local onde existem camas, ventiladores, outros equipamentos necessários e profissionais de saúde que saibam tratar estes doentes. Portanto, para que não exista a dispersão, desnecessária, de os ventiladores estarem num sítio, as camas noutro e os profissionais a transitar de um sítio para o outro que só causa propagação da infecção, estes doentes devem ser tratados nestes Hospitais.A existência de Hospitais de 3º linha que não devem tratar doentes infectados. Devem tratar as situações agudas e doentes com patologias cujo contacto com a infecção seria muito perigoso (cardíacos, respiratórios, insuficência renal).

Em relação aos Hospitais Privados e PPP  desde o seu início se recusaram a tratar doentes da especialidade de Infeciologia e se dedicaram ao tratamento das doenças crónicas não transmissíveis (DCNT) e métodos de diagnóstico destas. No tratamento de doentes de risco para o Covid-19 devem ser especialmente cuidadosos rastreando os doentes com frequência. Isto quer dizer, que com raras exceções, os médicos que deixaram de trabalhar no SNS e foram trabalhar só para os Hospitais Privados estão pouco preparados para este tipo de intervenções no contexto de uma pandemia.

Contudo devem existir acções de formação para preparar os médicos e enfermeiros mais novos no tratamento destes doentes infectados, nomeadamente em Unidades de Cuidados Intensivos com ventilação assistida.

Médicos com idade de risco ou situação de risco devem ser recrutados e colocados a trabalhar no tratamento da doença aguda e crónica não Covid e conforme a sua especialidade, especialmete por videoconferência para evitar deslocação de doentes.

Os Hospitais Privados que puderem trabalhar só para Covid.19 e se tiverem as condições necessárias, isto é camas, ventiladores, equipamentos de segurança e profissionais devem tratar estes doentes porque estamos perante uma emergência nacional.

Todos os Hospitais com Serviço de Urgência aberto devem ter um Serviço de Campanha aberto para evitar que doentes Não-Covid sejam infectados e assim separarem

3: Centros de Saúde: atendimento urgente 16 horas desde as 8 horas até às 24 horas com turnos de 8 horas de trabalho.

  1. Estes Centros de Saúde devem estar ligados a Hospitais de 3ª e 2ª linha, por telemedicina, dentro do conceito de Unidades Funcionais e igualmente ligados ao INEM
  2. Devem ter capacidade de diagnóstico (bioquímica e RX simples) e avaliar os doentes clinicamente.
  3. Devem poder avaliar os doentes pelo teste de diagnóstico que será enviado a um laboratório central (hospital de 2º linha) para diagnóstico. Se for positivo e conforme as recomendações ficar em casa com cuidados de proteção a terceiros ou ser enviado a um hospital de 2º ou 3º linha com capacidade de internamento.
  4. Na eventualidade de teste positivo deve ser feita referenciação do doente e avaliado o risco de gravidade, existência de familiares e contactos, zona de residência e dados enviados para uma base central que possa mapear as zonas (incidência de casos por local, bairro, condições sociais, estrangeiros)
  5. Os doentes que ficam em casa, mais novos e menos riscos identificados devem ser contactados com periocidade por um profissional de saúde, médico ou enfermeiro para avaliar as condições clínicas.

Deve existir e se não existe deve ser montado, um quartel-general do país e com o conhecimento das zonas ARS Norte, Centro e Sul, Ilhas com a incidência de casos com o risco identificado para poderem ser contactados ou por telefone pelos médicos de Saúde Pública

  1. Reforço de condições de proteção dos médicos, enfermeiros, auxiliares de acção médica, administrativos e pessoal de saúde que trabalha no INEM.
  2. Estes centros de saúde devem ter outra medicação necessária aos doentes (antibióticos, antipiréticos, álcool, máscaras)
  3. Ligação direta ao INEM para transportar contagiados ou não contagiados, para casa ou para hospital.

 

4: Os Hospitais, quer Públicos quer Privados, devem ser divididos e equipados segundo a sua capacidade instalada tanto de camas como ventiladores e profissionais capacitados para trabalhar em Cuidados Intensivos e no cuidado a estes doentes fora das Unidades de Cuidados Intensivos e naturalmente nas áreas onde existem mais doentes infectados. Esta necessidade de equipar hospitais de 1º e 2º linha deve-se ao facto de concentrar, onde são necessários, os profissionais mais habilitados para esta tarefa e, entre eles, poderem dividir horários de trabalho e manter este pessoal sem contágio.

5: Os Hospitais de 3º linha (sem infeção Covid) podem assegurar as situações agudas que necessitem de internamento, cirurgia geral em situação aguda a e assistencia de outras situações não infecciosas.

6: Os médicos com fatores de risco para o Covid devem fazer cuidados por teleconferência consoante a sua especialidade evitando, tanto quanto possível, o deslocamento do doente a qualquer Centro de Saúde ou Hospital.

7: O contacto telefónico Saúde 24 deve ficar sobre a alçada da DGS. É efetuada por enfermeiros preparados para responder por um algoritmo. Desconheço o algoritmo. Não sei se é fácil de responder e de localizar o doente e a zona epidemiológica possívelmente infectada.

8: O problema dos Lares de Terceira idade é grande e podem morrer todos os idosos que estão lá. Devem ser todos avaliados com testes diários e retirados os doentes infetados. Estes testes devem ser feitos periodicamente porque pode haver assintomáticos e o teste não tem 100% de sensibilidade. Deve ter, não tenho a certeza, 75% de sensibilidade.

9: É fundamental fazer as contas para todo o material necessário, não só para proteção como para diagnóstico, testes  e que exista a noção de stoks necessários para serem comprados atempadamente e distribuídos pelo SNS, assegurando primeiro os profissionais que tiveram contacto mais direto com doentes. Este material deve existir e o Estado Português deve cumprir a sua obrigação de zelar por todos os Portugueses.

10: A divisão dos Hospitais por área e capacidade de ação terapêutica deve reduzir a deslocalização dos doentes e dos profissionais e evitar o risco de infecção a doentes com outras patologias (oncológica, cardíacos, doenças auto-imunes, hematológicas).

11: INEM ambulâncias com capacidade de intervenção de ventilação e pessoal qualificado e possibilidade de cumprir protocolos de desinfeção para receber qualquer tipo de doente.

12: Empresas e fábricas em funcionamento para finalidades importantes para manter a comunidade ( cadeia alimentares, produtos de protecção contra o Covid-19,  desinfectantes, pessoas que trabalham na cadeia de transportes para o País) devem ser avaliados pelos médicos do Trabalho e informados dos riscos e como podem evitar contaminação. As empresas devem ter os seus programas contingência de modo a poder evitar infecção de grupo e entre estas medidas está o respeito pelas horas de trabalho ( mais do que oito horas de trabalho e evitar horas nocturnas). Segundo o médico de trabalho devem ser testado com frequencia para evitar contaminação na empresa e transmitir a doença para fora da empresa (familia, comunidade).

13: Informação diária do número de casos Covid 19 ao público : Mortos, Infectados, Altas, a aguardar testes, Internados nas UCI, Internados em enfermarias Covid 19, Profissionais infectados.

 

Prof. Dra. Ana Aleixo

28 de Março 2020