“Não Lutamos por comissões, Lutamos por salários em condições!”

Mais uma vez a administração da Teleperformance Portugal demonstrou o seu desprezo pelos seus próprios trabalhadores e estruturas representantes. Desta vez foi a resposta (ou melhor, a não resposta) dada pela mesma administração da TP ao Caderno Reivindicativo entregue pelos trabalhadores da Teleperformance de Setúbal. Neste, os trabalhadores faziam onze propostas e nenhuma delas foi sequer levada em consideração. Isto apesar das propostas constantes no caderno terem sido não só votadas, mas discutidas por todos os trabalhadores presentes como sendo os problemas mais prementes com que se debatem diariamente, em Plenário realizado a 1 de Fevereiro e subscritas por muitos outros trabalhadores deste e doutros sites e pelos seus familiares, bem como antigos trabalhadores da Teleperformance, numa recolha de assinaturas em papel e online que durou um mês e reuniu mais de 200 assinaturas.

Aquando da entrega do caderno reivindicativo foi convocado novo plenário para 12 de Abril. A Teleperformance, ciente da crescente insatisfação dos trabalhadores do site de Setúbal, visível no consecutivo aumento de participantes nas ações reivindicativas organizadas pelo STCC, ao invés de dar resposta às exigências subscritas, ou pelo menos demonstrar abertura nesse sentido, preferiu utilizar um subterfúgio, por forma a desmobilizar e dividir os trabalhadores. E qual foi esse subterfúgio? A promessa, feita em véspera do Plenário de Trabalhadores, de um aumento de 50 euros no prémio/comissões às equipas de suporte da campanha Wizink, que no geral têm sido os trabalhadores mais ativos nas várias ações sindicais.

Mas, como se costuma dizer “o tiro saiu-lhes pela culatra”. A Teleperformance, decerto não esperava uma adesão ainda maior de trabalhadores neste plenário, mas foi o que aconteceu. Não só houve uma maior participação de trabalhadores de outros departamentos, como para “desgosto” da Teleperformance, houve uma ainda maior participação dos trabalhadores das referidas áreas de suporte, com mais de 90% de participação na reunião de 12 de Abril.

E o que pretendem, ou melhor, o que exigem os trabalhadores da Teleperformance de Setúbal? A que conclusões chegaram? Que querem melhores comissões? Não! O que os trabalhadores querem é isto:

1 – Progressão salarial para TODOS os trabalhadores da Teleperformance! Sim falamos dos mais de 8000 trabalhadores espalhados por todos os sites, desde Lisboa a Setúbal, Porto e Covilhã! Porque simplesmente não faz sentido, nem ninguém ainda acredita que com os lucros, o crescimento mais que visível com tantos edifícios, com o volume de negócios que a própria Teleperformance tanto publicita, que esta não tenha “condições” para pagar mais que o SMN como vencimento base, quer seja a um trabalhador chegado há um mês, quer tenha 10 anos de antiguidade na empresa. Porque as comissões como tantas vezes é dito pelos próprios responsáveis da empresa, podem ser retiradas, pelo que só podemos contar com aquilo que é garantido – o vencimento base!

 

2 – Passagem imediata a contrato Teleperformance de todos os contratos Emprecede! Porque já toda a gente sabe que esta empresa é apenas fachada para a Teleperformance “reter” ainda mais lucro sobre o trabalho destes colegas. Todos nós sabemos bem que a Emprecede só fornece “mão de obra” à Teleperformance e a mais nenhuma outra empresa! Ainda para mais, quando a Teleperformance é beneficiada pelo Estado, juntamente com outras “grandes empresas criadoras de postos de trabalho” em 41 milhões de euros em incentivos fiscais! Dinheiro dos nossos impostos, de todos nós, para alimentar uma ETT de fachada! Se a TP cria emprego, porque não é a TP a contratar?

 

3 – Que todos os trabalhadores tenham direito ao chamado “prémio de assiduidade”, que foi retirado unilateralmente pela empresa a todos os trabalhadores contratados após Novembro 2014. Esta diferença , que configura um dos maiores abusos e prepotência da Teleperformance, que tentou reduzir até o mesmo aos outros trabalhadores o prémio de assiduidade, aquando do primeiro aumento do SMN decretado pelo atual Governo, o que foi impedido pela ação do STCC.

 

4 – Combate efetivo ao Assédio Moral, começando pela afixação de legislação atualizada sobre assédio moral/laboral nos inúmeros sítios disponíveis para informações nos sites da Teleperformance. Porque os mesmos não podem servir apenas para publicidade gratuita da empresa ou para fomentar as “denúncias sobre fraude”. É também necessário que todos os trabalhadores tenham conhecimento dos seus direitos, assim como as chefias dos seus deveres.

 

Além disto, insistimos e mantemos todos os outros pontos subscritos no caderno reivindicativo , por isso, vamos voltar a coloca-lo disponível para assinatura on-line, quem não tiver subscrito, pode e deve fazê-lo!

 

Vamos lutar até a Teleperformance ceder!

Agora questionam-se e, como vão os trabalhadores fazer valer as suas reivindicações? Com mais abaixo assinados? Não! Os trabalhadores estão cientes e convictos da justiça das suas exigências. Perante a intransigência da Teleperformance, os trabalhadores do Site de Setúbal da Teleperformance decidiram realizar uma greve parcial de três horas no próximo dia 8 de Maio, entre as 15 e as 18 horas.

Este pretende ser apenas mais um passo numa luta que se pretende manter e alargar a todos os sites, campanhas e trabalhadores da Teleperformance. Não estamos dispostos a ceder nem em mantermo-nos silenciosos e cabisbaixos. Dia 8 (re)começamos uma luta por salário, por condições de trabalho, mas sobretudo por respeito e dignidade. Não somos números, somos seres humanos com famílias para alimentar e contas para pagar! Não vivemos para trabalhar, trabalhamos para viver!

E tu? E vocês restantes colegas? Vão ficar a ver? Ou também é lógico para vocês que uma pessoa que trabalha anos a fio na mesma empresa tenha algo tão simples como uma profissão reconhecida como tal, com direito a algo tão normal como progressão salarial?

 

Junta-te a Nós!

Por Salários em Condições!

Unidos Podemos Vencer!

 

José Abrantes

Ativista sindical do STCC, operador de call-center na Teleperformance de Setúbal