OGMA despreza saúde dos seus trabalhadores

OGMA ignora problemas de saúde dos trabalhadores causados por contaminação de produto químico.

No sector da fabricação nas OGMA – Indústria Aeronáutica, S.A., nas secções de montagem de estruturas aeronáuticas, vários trabalhadores deslocaram-se ao posto médico da empresa por terem lesões ao nível da pele nas maos, e também por tonturas e dores de cabeça. Tal sucedeu com os trabalhadores que manuseiam intensivamente um produto de limpeza usado no processo, um solvente industrial conhecido como Butanona ou MEK – Methilo Ethilo Ketone. Normalmente, se utilizado por um longo período de tempo, e em contacto directo com a pele, este produto tem vários malefícios para a saúde, mas desta vez teve um impacto fora do normal: mesmo usando luvas de latéx, vários trabalhadores ficaram com as mãos completamente vermelhas e inflamadas, com ardor permanente. Estes casos começaram no dia 16 de Março, mas apenas no dia 21, quando vários trabalhadores se dirigiram ao posto médico de uma vez, a empresa fez alguma coisa.

No dia 22, na troca de turnos, alguns trabalhadores foram convocados por algumas chefias para irem a uma “sessão de esclarecimento” improvisada com a médica da empresa, e a responsável de Higiene e Segurança no Trabalho. Nem todos os trabalhadores foram informados, as próprias intervenientes não se conseguiam fazer ouvir no meio da secção perante largas dezenas de pessoas, e esta sessão não foi obrigatório, sendo que durante a própria discussão algumas chefias pressionavam os trabalhadores para voltar ao trabalho, pois “já estava tudo esclarecido”. Aqui, médica e responsável de HST, informaram os presentes que conseguiam ouvir, que tinha de facto havido uma contaminação do MEK, o que tinha resultado nos sintomas que alguns trabalhadores apresentavam. Pensavam tratar-se de uma contaminação durante o transporte e armazenamento do produto, com origem no fornecedor, mas não tinham a certeza. O que tinham a certeza, é que não havia qualquer perigo para a saúde, de lesões a longo prazo, etc., mesmo sem saber exactamente qual a contaminação.

Fomos informados que o lote contaminado tinha sido retirado da secção, e que o novo não estava contaminado, mas não é verdade. Foram apenas retirados alguns dos recipientes pequenos que existem na secção, de cerca de 1l, que estavam nos carrinhos dos consumíveis,  mas não foram removidos completamente, pois muitos estavam a ser utilizados nesse momento, e encontravam-se em cima das bancadas de trabalho, etc. Soubemos por uma fonte da empresa de logísitca que trata do abastecimento do produto, que as ordens que tiveram foi que não deveriam remover todos os recipientes, pois isso iria afectar a produção! Como os frascos não estão identificados, não são rastreáveis, sendo pratica comum serem misturados. Assim não é possível neste momento dizer quais são os frascos contaminados que estão na linha, e quais são os novos, supostamente “seguros”.

Foram as próprias médica e técnica de HST que reconheceram que mesmo que não tivesse ocorrido esta contaminação, o MEK não deveria continuar a ser utilizado, pois não é o mais apropriado. O produto não devia nunca ser manuseado sem luvas de latex, mas como todos os trabalhadores responderam, existe uma grande falta de equipamentos de protecção na secção. Passam-se semanas em que há falta de luvas de latex, ou em que apenas há luvas de um material que se desfaz com o MEK. A própria técnica de HST mencionou que não havendo luvas, não há condições para se fazer o trabalho, e não devemos mexer no produto sem luvas. Mas  a situação não é assim tao simples. Na OGMA, durante os 3 primeiros anos em que as pessoas estão em situação precária, não podem simplesmente recusar-se a trabalhar por não ter luvas. Ha uma pressão constante para fazer a produção avançar, a todo o custo. Os próprios supervisores e monitores são avaliados positivamente se gastarem o mínimo possível em materiais de desgaste e consumíveis; mas esses consumíveis tanto incluem lixa, panos e brocas, como incluem as luvas de latex, os abafadores auditivos, as máscaras, óculos, e todos os equipamentos de protecção individual. Assim sendo, nunca há o suficiente e é pratica comum trabalharmos todos os dias com MEK sem luvas. As poucas máscaras que há, não são adequadas. São máscaras que apenas protejem de poeiras, e não de gases. A maioria dos frascos do MEK, estão danificados na tampa, libertando gases nocivos.

Existem alternativas ao MEK, mais caras, usadas em outras empresas como a TAP, ou nas próprias fábricas da EMBRAER do Brasil. Em toda a empresa as despesas com material devem ser controladas, mas será que os equipamentos de protecção individual obrigatórios por lei podem ser racionados desta forma? Mas que preço tem a nossa saúde?”