PROTOCOLO DOS 8 COLOCA SACRIFICIO MAIS UMA VEZ NOS TRABALHADORES

Negociações à porta fechada? Os trabalhadores têm o direito a saber o que se passa

É do conhecimento do SOS e de muitos trabalhadores que está em marcha a assinatura de um protocolo entre a empresa e 7 sindicatos do sector (de agora em diante o protocolo dos 8), onde a CT não foi tida nem achada. O protocolo dos 8 é para entrar em vigor já a partir do dia 1 de Abril, lamentavelmente não é mentira, o dito coloca mais uma vez o esforço do lado dos trabalhadores.

O referido protocolo dos 8 anuncia, entre várias coisas, a regularização ilegal do não pagamento do subsídio de férias. Após a empresa pressionar os trabalhadores com a antecipação das férias para abril de forma a “ajudar” a mesma, não irá pagar o subsídio aquando de direito para os trabalhadores que gozariam férias entre abril e junho. Subsídio este ainda mais necessário nas situações que atravessamos e com várias trabalhadoras e trabalhadores de licença e portanto já com perdas no salário.

O referido protocolo dos 8 liberaliza mais a adaptabilidade nos horários, encurta os períodos de convocação de feriados e o de alterações nos horários. Se já achávamos que estávamos mal, este protocolo piora muito mais.

Se é visível e compreendida a grande diminuição da operação, também são públicas (as contas da empresa são publicas e estão online) e visíveis a saúde financeira da Groundforce (vide por exemplo o parque automóvel de BMWs no edifício 70), daí defendermos que não é tempo de mais sacrifício para os trabalhadores, mas sim é hora da empresa garantir salários e postos de trabalho pois há dinheiro para isso.

Os sindicatos deveriam estar era a dirigir as suas preocupações para o layoff que aí vem e para a forte redução de salários que isso implicará. Essa era a negociação a ter, o pagamento da totalidade do rendimento dos trabalhadores. Neste momento os patrões da Groundforce estarão a estudar o número de trabalhadores que poderão colocar em layoff a receber 66% do seu salário, regime de despedimento temporário e do qual a empresa só terá pagar um terço durante 3 meses, poupando aos acionistas uma soma que poderá chegar a vários milhões de euros e que assim não fugirão dos seus bolsos. Muito cuidado, que na altura em que o layoff acabar, pode ser que muita coisa não volte ao seu estado original, já que a garantia da recuperação dos postos de trabalho ninguém a pode dar e vai estar na mão dos patrões e da pressão que exercerem.

Apelamos a que nenhum sindicato assine o referido protocolo dos 8 e que têm a obrigação enquanto representantes dos trabalhadores associados nas suas organizações de lhes mostrar o que pretendem assinar. É tempo de resistir e de não nos vergarmos mais uma vez. Só uma aviação pública garantirá postos de trabalho e salários!